Alzheimer: doença no Brasil deve triplicar até 2050

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No início do Mês Mundial de Alzheimer, a Febraz – Federação Brasileira das Associações de Alzheimer e a Alzheimer’s Disease International (ADI), federação global com mais de 105 associações de Alzheimer e demência em todo o mundo, estão convocando a Organização Mundial da Saúde (OMS), governos e outros órgãos de saúde pública a colocar em prática, com urgência, o apoio pós-diagnóstico àqueles que vivem com demência à luz das novas previsões. Estudo recente publicado pela revista The Lancet, em janeiro deste ano, revela que atualmente cerca de dois milhões de pessoas vivem com demência no Brasil. O que preocupa é o fato de que a pesquisa mostra que este número deve subir para seis milhões, até o ano de 2050, um aumento significativo de 206%.

 

Embora esses números sejam assustadores, é provável que aumentem ainda mais por conta das sequelas deixadas pela pandemia. Evidências apontam que a Covid-19 também pode influenciar no aumento do risco de desenvolver demência, mais tarde na vida. A CEO da ADI, Paola Barbarino, diz que a maioria dos governos ao redor do mundo não está preparado para enfrentar uma crise de saúde pública, entretanto, ainda há tempo para agir.

 

“Especialistas em demência em todo o mundo demonstraram que estamos no caminho para um aumento extraordinário na prevalência de demência, nos próximos anos. Sabemos que qualquer outra doença, que previu aumentos de mais de 200% em menos de 30 anos, certamente teria a atenção do governo”, afirma.

 

E aí?

No entanto, a maioria dos governantes ainda não possui planos de demência em vigor, apesar de terem se comprometido a desenvolvê-los ainda em 2017. Primeiramente, sabemos que o estigma e a discriminação, que ainda existe em torno da demência, significa que muitas pessoas não se apresentam para um diagnóstico, excluindo milhões de pessoas em todo o mundo de tratamento e apoio vitais.

 

Barbarino afirma que os governos de todo o mundo têm as ferramentas à sua disposição para mitigar esta crise de saúde pública e fornecer o apoio necessário para aqueles que vivem com demência, no entanto muitos governos ainda estão se recusando a agir:

“Em 2017, todos os 194 Estados-Membros da OMS comprometeram-se a conscientizar e implementar medidas de redução de riscos para a demência por meio do plano de ação global da OMS sobre a resposta à demência, no entanto, até agora apenas 39 Estados-Membros de 194 cumpriram sua promessa. Além disso, as evidências e previsões são inequívocas, e os governos enfrentam duas escolhas: agir em seu compromisso de 2017 ou intencionalmente tropeçar em uma das maiores crises de saúde pública de nosso tempo.”

 

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Entenda a doença

Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade. A causa é desconhecida, mas acredita-se que seja geneticamente determinada.

 

A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles. Como consequência dessa toxicidade, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato.

 

Sintomas:

– Falta de memória para acontecimentos recentes;

– Repetição da mesma pergunta várias vezes;

– Dificuldade para acompanhar conversações ou pensamentos complexos;

– Incapacidade de elaborar estratégias para resolver problemas;

– Dificuldade para dirigir automóvel e encontrar caminhos conhecidos;

– Dificuldade para encontrar palavras que exprimam ideias ou sentimentos pessoais;

– Irritabilidade, desconfiança injustificada, agressividade, passividade, interpretações erradas de estímulos visuais ou auditivos, tendência ao isolamento.

 

A doença de Alzheimer costuma evoluir de forma lenta. A partir do diagnóstico, a sobrevida média oscila entre 8 e 10 anos. O quadro clínico costuma ser dividido em quatro estágios:

 

– Estágio 1 (forma inicial): alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais;

– Estágio 2 (forma moderada): dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agitação e insônia;

– Estágio 3 (forma grave): resistência à execução de tarefas diárias. Incontinência urinária e fecal. Dificuldade para comer. Deficiência motora progressiva;

– Estágio 4 (terminal): restrição ao leito. Mutismo. Dor ao engolir. Infecções intercorrentes.

 

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Mês Mundial da Doença de Alzheimer

 

O tema do Mês Mundial de Alzheimer deste ano é “Conheça a Demência, Conheça o Alzheimer” e se baseia no poder do conhecimento, com foco especial no tratamento pós-diagnóstico e apoio para quem vive com demência. No Brasil, o suporte pós-diagnóstico para pessoas diagnosticadas com demência é escasso, principalmente para aqueles com pouco recursos para acessar o tratamento e o auxílio que a doença exige.

 

Segundo Elaine Mateus, Presidente da Febraz: “A campanha Setembro Lilás é uma oportunidade ímpar para educar, sensibilizar, encorajar o apoio e desafiar os estigmas que persistem em relação à doença de Alzheimer e outros tipos de demência. O tema deste ano, “Conheça a demência. Conheça o Alzheimer’, com foco especial sobre o suporte pós diagnóstico, é um convite para agirmos, juntos, como sociedade, por mais serviços e por melhor qualidade de vida para as pessoas que vivem com o diagnóstico e também para aquelas que realizam os cuidados; sejam elas familiares, amigas ou profissionais da saúde e da assistência. O Brasil precisa responder, com urgência, às demandas desses grupos”.

 

Fonte: Medicina S/A

 

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