Um novo remédio para Alzheimer, chamado diranersen (BIIB080), apresentou resultados promissores em pacientes com a forma inicial da doença e avançará para a fase 3 de testes clínicos, a última etapa antes de um possível pedido de aprovação. Desenvolvido pela farmacêutica Biogen, o medicamento mostrou redução de até 50% no declínio cognitivo em parte das escalas usadas no estudo e atua sobre a proteína tau, um alvo diferente dos tratamentos mais recentes.
Os dados do novo remédio para Alzheimer foram apresentados na Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, em Londres.
O estudo de fase 2, chamado CELIA, acompanhou 416 pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer ao longo de 18 meses.
Como funciona o novo remédio para Alzheimer
O Alzheimer está associado principalmente ao acúmulo de duas proteínas no cérebro: a beta-amiloide e a tau.
A primeira forma placas entre os neurônios. A segunda cria emaranhados dentro das células nervosas e está relacionada à progressão dos sintomas, como perda de memória, dificuldade de atenção e comprometimento do raciocínio.
O diranersen foi desenvolvido para agir justamente sobre a proteína tau. Segundo a Biogen, o medicamento reduz a produção dessa proteína, com a expectativa de desacelerar o avanço da doença.
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O que mostrou o estudo
O estudo CELIA avaliou 416 participantes. Todos tinham comprometimento cognitivo leve devido ao Alzheimer ou demência leve associada à doença.
Os pacientes receberam diferentes esquemas de dose do diranersen ou placebo durante 18 meses. O medicamento foi aplicado por via intratecal, por meio de uma punção lombar, procedimento que permite levar o medicamento diretamente ao líquido que circula ao redor do cérebro e da medula.
Entre os principais resultados do estudo, a empresa destacou:
- redução de 50% a 65% da proteína tau no líquor;
- redução de depósitos de tau observada em exames de imagem;
- desaceleração do declínio cognitivo em diferentes escalas;
- ausência de edema cerebral, conhecido como ARIA.
A dose que apresentou melhor desempenho foi a menor: 60 mg aplicados a cada 24 semanas.
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Quanto o remédio reduziu o declínio cognitivo
Na comparação com o placebo, a dose de 60 mg mostrou:
- redução de 26% no declínio cognitivo pela escala CDR-SB;
- redução de 42% pela escala ADAS-Cog13;
- redução de 50% pela escala Mini-Mental State Examination (MMSE).
Essas escalas são usadas para medir perda de memória, linguagem, atenção e outras funções cognitivas ao longo do tempo.
Embora os resultados tenham sido considerados promissores, o estudo não alcançou seu objetivo principal, que era demonstrar resposta progressivamente melhor com doses mais altas.
Mesmo assim, segundo a Biogen, cinco dos seis desfechos clínicos analisados favoreceram o medicamento, o que sustentou a decisão de levar o tratamento para a fase 3.
O que acontece agora?
O diranersen ainda não está disponível para uso clínico. A próxima etapa será o estudo de fase 3, que deve incluir um número maior de participantes para confirmar se os benefícios observados até agora se repetem e se o tratamento mantém segurança adequada.
Se os resultados forem confirmados, o medicamento poderá se tornar uma nova opção terapêutica contra o Alzheimer, ampliando as estratégias de tratamento para uma doença que ainda não tem cura.
























