O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, em entrevista realizada nesta segunda-feira (19) à Rádio Eldorado, do Grupo Estadão,criticou a ausência de uma prova prática no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).
O dirigente defendeu que a avaliação dos futuros médicos inclua a verificação de habilidades clínicas, além dos conhecimentos teóricos, e apoiou a obrigatoriedade do exame, aprovada pelo Congresso Nacional em 15 de outubro, como requisito para o registro profissional de novos médicos.
“Eu só ressinto e quero compartilhar com vocês a falta de uma avaliação prática. Eu acho que essa é a lacuna do Enamed”, afirmou Fernandes durante a entrevista.

Presidente defendeu avaliação ao longo da graduação
O modelo aprovado pelo Congresso prevê avaliações do Enamed ao longo da graduação em Medicina, ao final do segundo, do quarto e do sexto ano.
A última etapa tem maior peso na avaliação final, e o estudante precisa alcançar o nível mínimo de proficiência exigido para obter o registro profissional. Fernandes apoiou a avaliação seriada.
“As competências não podem ser presumidas, elas precisam ser comprovadas”, declarou.
Segundo o dirigente, a graduação em Medicina exige seis anos de formação e envolve diferentes dimensões do aprendizado.
“Ele [estudante] precisa adquirir uma série de competências cognitivas, precisa adquirir habilidades, precisa adquirir atitudes”, afirmou, ao explicar que esses elementos são necessários para o atendimento adequado aos pacientes.
O presidente da AMB, no entanto, considera que as provas teóricas não são suficientes para verificar todas essas competências. “Não se pode avaliar o médico única e exclusivamente com vistas às suas competências cognitivas”, disse.
Na avaliação de Fernandes, uma prova prática no Enamed permitiria verificar habilidades que não podem ser aferidas apenas por questões teóricas. Ele reconheceu que a aplicação de uma prova desse tipo em todo o país exigiria recursos e organização, mas afirmou que existem alternativas tecnológicas para viabilizá-la.
Expansão dos cursos e qualidade da formação médica
Durante a entrevista, Fernandes também relacionou a necessidade de avaliar os estudantes à expansão dos cursos de Medicina no Brasil.
O presidente ressaltou que o país passou de aproximadamente 150 escolas médicas, em 2013, para mais de 500 instituições, aproximando-se de 600.
Fernandes atribuiu parte desse crescimento à expansão ocorrida após a criação do Programa Mais Médicos, em 2013, e questionou se todas as instituições dispõem de condições adequadas para formar profissionais.
“Essas escolas médicas foram feitas e implantadas sem as condições mínimas para formar médicos”, declarou.
Estudantes reprovados poderão refazer a avaliação
Outro ponto discutido na entrevista foi o que acontecerá com os estudantes que não atingirem o nível mínimo de proficiência exigido pelo Enamed.
A nova regra prevê que a aprovação no exame seja necessária para o registro profissional, mas também permite novas tentativas em edições posteriores.
Fernandes destacou que a possibilidade de repetir a avaliação é importante, mas ponderou que os estudantes precisam de tempo para se preparar e superar as dificuldades identificadas.
“Eu acho que seria recomendável que ele tivesse um intervalo de um ano, porque ele precisa se preparar, precisa buscar adquirir as competências que ele não adquiriu”, afirmou.
O dirigente também chamou a atenção para os resultados da edição anterior do exame, onde aproximadamente um terço dos participantes não atingiu o nível de proficiência esperado.
Por fim, Fernandes ressaltou que a reprovação não deve representar uma exclusão definitiva do exercício da Medicina, já que os estudantes poderão realizar novas avaliações.
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