A saúde mental na medicina tem se tornado um tema cada vez mais discutido dentro do meio acadêmico e profissional. Exaustão emocional, irritabilidade e dificuldade de concentração estão entre os sintomas mais comuns de sobrecarga. “Esses sinais aparecem de forma progressiva e muitas vezes passam despercebidos porque são normalizados”, afirma o médico e professor do Centro Universitário Tabosa de Almeida (Asces-Unita), Rannyery Pessoa.
Embora muitas vezes associada apenas ao exercício profissional, a sobrecarga emocional também se manifesta ainda na graduação. Por isso, o curso de Medicina da Asces-Unita inclui a saúde mental como parte da formação desde os primeiros períodos. A proposta é estimular o desenvolvimento de recursos emocionais, o reconhecimento de limites e a construção de redes de apoio, reforçando que a formação médica vai além do desempenho acadêmico.
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Apoio ao estudante faz parte da formação

Na Asces-Unita, o cuidado com a saúde mental dos estudantes também acontece por meio de ações permanentes de acolhimento e acompanhamento. Entre elas, está o Serviço Socioeducacional, que oferece apoio psicológico e social aos alunos de forma espontânea ou por encaminhamento de professores e coordenadores. Os atendimentos são realizados individualmente, em ambiente adequado à escuta psicológica, garantindo sigilo e acolhimento às demandas apresentadas pelos estudantes.
Além disso, a instituição promove intervenções em sala de aula quando são identificadas situações que possam afetar o bem-estar dos alunos. Outro exemplo é o Programa de Desenvolvimento de Competências Interpessoais e Intrapessoais (PDCI), voltado ao fortalecimento de habilidades socioemocionais que contribuem para o desempenho acadêmico e para o enfrentamento dos desafios da vida universitária.
Cultura da medicina e a normalização do esgotamento
As ações de acolhimento ganham ainda mais relevância diante dos desafios emocionais frequentemente associados à formação e ao exercício da medicina. Especialistas apontam que aspectos culturais da profissão podem dificultar o reconhecimento do sofrimento psíquico e a busca por ajuda. O professor Rannyery Pessoa explica que “existe historicamente uma cultura na medicina que valoriza resistência, produtividade e
autocontrole quase como obrigações permanentes”.
Na mesma linha, a professora de Psicologia da Asces-Unita, Raiane Cruz, reforça a importância de questionar esse modelo. “Precisamos problematizar isso. O profissional da saúde é principalmente um ser humano, sente medo, angústia, frustração e cansaço. Reconhecer limites não diminui a capacidade técnica, pelo contrário, favorece práticas mais humanas, conscientes e sustentáveis”, afirma.
Impactos na prática profissional
Segundo os docentes, negligenciar a saúde mental pode impactar não apenas o bem-estar do profissional, mas também a qualidade da assistência prestada aos pacientes. Raiane Cruz alerta que a preocupação com a saúde mental deve ser constante: “é ético e estrutural para o exercício da profissão. Cuidar de pessoas exige disponibilidade emocional, capacidade de escuta, manejo de sofrimento, tomada de decisão sob pressão e contato constante com situações de vulnerabilidade humana”, enfatiza.
Ela acrescenta que equilíbrio emocional não significa ausência de emoções difíceis. “Sentimentos como tristeza, raiva, medo e frustração fazem parte da experiência humana. O que buscamos é desenvolver recursos para reconhecer, elaborar e manejar essas emoções sem adoecer ou perder a capacidade de seguir construindo a própria vida de forma significativa”, completa.

Práticas recomendadas
Diante desse cenário, especialistas da Asces-Unita apontam práticas que ajudam na manutenção da saúde mental:

● Desenvolvimento do autoconhecimento e da consciência emocional
● Fortalecimento de vínculos sociais e redes de apoio
● Psicoterapia como espaço de cuidado e elaboração
● Prática regular de atividade física
● Qualidade do sono e organização da rotina
● Técnicas de respiração, relaxamento e mindfulness (atenção plena)
● Atividades de lazer, arte e momentos de descanso
● Estabelecimento de limites saudáveis nas relações e no trabalho
● Redução da autocobrança excessiva e da comparação constante
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