Na manhã desta quarta-feira (26), os Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes causadas por sarampo em 2026. Os óbitos foram registrados no Condado de Lancaster, no estado da Pensilvânia, onde não havia registro de morte pela doença há 35 anos.
Embora se tenha conhecimento de que as vítimas não eram vacinadas, o Departamento de Saúde do estado não divulgou outras informações que pudessem identificar as pessoas, como idade ou sexo.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já tinha alertado para o surto de sarampo nos países das Américas; os Estados Unidos entre os países que concentram 95% dos casos confirmados em 2026. No país, 2.777 casos foram registrados em comparação com o ano de 2025, onde o número era de 2.289.
Em avaliação de risco, elaborada com os dados disponíveis até 20 de julho de 2026, a OPAS avaliou que o risco para a saúde pública associada ao sarampo continua em um grau muito alto. Entre os fatores que sustentam essa classificação está o aumento de circulação das pessoas em eventos de porte internacional (como o caso da Copa do Mundo 2026) e uma cobertura vacinal abaixo do ideal.
Vacinação nos EUA
O crescimento de casos de sarampo não é algo sem motivação. De acordo com a OPAS, a maioria dos países e territórios das Américas está com cobertura vacinal contra sarampo, rubéola e caxumba abaixo do considerado necessário, que é 95%. Dos 43 países reportados pela organização, apenas 26% deles alcançaram uma cobertura superior a 95% para as duas doses da vacina tríplice viral.
Esse não é o caso dos Estados Unidos. No país, a cobertura vacinal infantil caiu 2% entre 2020 e 2026, diminuindo para o patamar de apenas 93%. De acordo com especialistas, a queda vem se acumulando desde 2016, com grande força durante a pandemia do Covid-19.
Esse é um fator que vem como consequência da diminuição nas vacinas, motivada, principalmente, pelos discursos do presidente Donald Trump. No último, ocorrido em 10 de agosto, Trump assinou uma ordem reformulando o calendário de vacinação infantil e interrompendo a tríplice viral. Segundo o presidente dos EUA, a interrupção seria necessária pois havia risco de morte.
No entanto, não houve apresentação de dados, número de óbitos ou mesmo pesquisas que associassem a vacina com o risco citado pelo presidente.
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Sarampo: transmissão e sintomas
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo que já foi, inclusive, uma das principais causas de mortalidade infantil. Ela é transmitida pelo ar, ou seja, através de movimentos cotidianos como espirro, fala, respiração ou tosse. Uma pessoa infectada com sarampo pode transmitir a doença para 90% dos indivíduos que estejam próximos e não sejam vacinados.
Os principais sintomas do sarampo incluem manchas vermelhas no corpo e febre alta, acompanhadas de:
- tosse seca;
- irritação nos olhos;
- mal-estar intenso.
De acordo com os dados do Ministério da Saúde (MS), 1 a 3 a cada 1000 crianças doentes podem morrer em decorrência de complicações da doença, com o surgimento de pneumonia, otite média aguda e/ou encefalite aguda.
Casos de sarampo no Brasil
Em 2026, de acordo com o MS, foram confirmados 24 casos de sarampo no Brasil, sendo 23 deles registrados no estado de São Paulo. 3 já foram encerrados sem risco de disseminação e 21 seguem em acompanhamento no estado paulista, divididos entre Guarulhos, São Bernardo do Campo e a capital São Paulo.
Diante dos casos, o MS recomendou a intensificação da imunização para a população de 6 meses a 59 anos.
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