publicidade

Imersão na Itália: Estudantes e médicos poderão vivenciar um dos maiores sistemas de saúde do mundo

Compartilhar:

formação em geriatria na Itália
Imersão permite aos profissionais o estudo sobre o envelhecimento no território, aprendendo desde o atendimento domiciliar até os cuidados paliativos. Foto: Reprodução Rede Geronto.

Compartilhar:

O Sistema de Saúde da Itália é considerado uma das principais referências mundiais em qualidade de atendimento e expectativa de vida. O país ocupa posições de destaque em rankings globais de longevidade e eficiência médica elaborados por órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Bloomberg Global Health Index.

Em parceria com a Azienda Sanitaria Locale (ASL) de Asti e de Modena, a Rede Internacional de Pesquisas em Gerontologia e Sistemas de Cuidado no Envelhecimento (Rede Geronto) está com inscrições abertas para o Programa Internacional de Formação em Geriatria – Itália 2027. As vagas são destinadas à estudantes de Medicina e profissionais formados.

A iniciativa busca proporcionar a esses profissionais e estudantes uma formação ampliada, unindo teoria, prática e observação qualificada dos serviços do Sistema de Saúde e Serviço Social de duas regiões da Itália.

Segundo Suzana Funghetto, diretora da Rede Geronto, a vivência é para mostrar um sistema de saúde organizado e mais antigo do que o do Brasil, que estuda o envelhecimento para além do sujeito na UBS. “O Brasil, em termos de currículo, quase não estuda envelhecimento. E, quando estuda, aborda um envelhecimento distante. Ou é o sujeito na UBS, mas não é o sujeito no território. Lá, eles vão conhecer o envelhecimento no território, a vida em comunidade e o atendimento”, destaca.

Sobre o Programa Internacional de Formação em Geriatria

O projeto é resultado da parceria entre a Rede Geronto e a Azienda Sanitaria Locale (ASL) de Asti e de Modena, na Itália. Com a imersão, busca proporcionar aos estudantes brasileiros de Medicina uma vivência internacional com experiências clínicas, comunitárias e hospitalares em instituições de referência , com foco no cuidado de pessoas idosas na Itália.

Durante o programa, os participantes desenvolvem habilidades de comunicação médica e humanização do atendimento, especialmente no suporte emocional a pacientes e familiares. Além disso, durante o período de formação, os participantes podem comparar os modelos de assistência ao idoso entre o Brasil e a Itália, observando diferenças e possíveis implementações.

Por exemplo, o sistema de saúde da Itália trabalha com o conceito de cidades amigas da pessoa com demência, que são cidades capacitadas para que as pessoas saibam agir e possam chamar a polícia caso encontrem um idoso com demência na rua; algo que ainda não tem no Brasil.

Como é a imersão?

Os participantes têm a oportunidade de participar de debates que geram soluções aplicáveis no dia a dia do médico. Foto: Rede Geronto.

A 3º edição do Programa Internacional de Formação em Geriatria acontece de 12 a 27 de janeiro de 2027 em Asti e de 07 a 21 de janeiro de 2027 em Modena, em 15 dias de atividades que unem, entre outros, consultas geriátricas, avaliações neuropsicológicas, estudos de caso e seminários científicos. Mas além desses, a imersão também conta com atividades fora do ambiente hospitalar, como ações de socialização, grupos de caminhada e visitas domiciliares.

Suzana destaca a importância e as diferentes formas de aprendizados possibilitadas pelo programa para o futuro dos profissionais. “Ele vai aprender a trabalhar mais com a equipe de saúde e a entender como a equipe pode tomar decisões em conjunto. Vai aprender protocolos de saúde diferentes. Vai aprender que, muitas vezes, é mais importante a vida em comunidade do que uma atenção específica ao medicamento.”

A estudante de Medicina da Universidade Federal do Maranhão, Ana Karlla, entende a participação na imersão como a construção de um sonho para o futuro na geriatria. “Tanto em questões técnicas, mas também em vivências culturais. Que podem somar e contribuir para uma formação mais humana, ao mesmo tempo que também atenda às necessidades dos meus futuros pacientes.”

Para que isso ocorra, é necessário que a atuação seja realizada em cenários que possibilitem essa imersão, como o Hospital Cardinal Massaia e serviços territoriais da ASL AT e MO, o Centro de Cuidados Paliativos e espaços comunitários e as atividades em Asti, Isola d’Asti, San Damiano, Modena, Carpi, Mirandola, Sassuolo, Vignoli, Nodaia e Castelfranco.

Por que a escolha do sistema de saúde italiano?

Segundo Suzana, a ideia é vivenciar essas experiências em um sistema de saúde que deu base para o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, em 1980. “As pessoas se inspiraram no sistema italiano para fazer o sistema brasileiro de forma sanitária”. Além disso, a escolha da Itália também parte de sua posição como um dos países mais longevos do mundo e com grande número de idosos.

Embora o Brasil também enfrente um envelhecimento populacional, com 10,2% da população tendo 65 anos ou mais (IBGE, 2022), a Itália apresenta uma das populações mais idosas do mundo. De acordo com o Instituto Nazionale di Statistica de 2023, 23,4% da população italiana pertence à faixa etária de 65 anos ou mais. E, segundo os dados do Censo Permanente da População e Habitação de 2023, mais de 1 em cada 4 famílias é composta apenas por idosos a partir dos 65 anos.

Outro motivo para a escolha se dá por causa do cuidado ao idoso. A Itália é reconhecida por seu tratamento desde os momentos dentro de casa até os cuidados paliativos. “Lá, os cuidados paliativos começam um ano antes de a pessoa com doença crônica vir a óbito. É diferente daquilo que fazemos no Brasil, quando muitas vezes eles começam apenas nos meses próximos à morte, quando não há mais o que fazer.”

Suzana utiliza os hospices como exemplo, que são locais que buscam proporcionar alívio ao paciente durante a fase em que a doença não responde mais ao tratamento específico, onde os indivíduos permanecem até os últimos momentos de vida.

Além desses, também existem moradas públicas ligadas aos impostos. Se o indivíduo mora longe da família, o país permite que ele se cadastre na cidade e, de maneira gratuita, more em uma cohousing. ou seja, um prédio onde também moram outros idosos, cujo objetivo é evitar a solidão. “Ter um local com pessoas que estão na mesma fase da vida, ter esse cuidado e esse acolhimento faz com que o idoso não se sinta tão sozinho.”

Outros pontos diferenciais entre os sistemas de saúde do Brasil e da Itália são:

  • O sistema de saúde italiano é mais focado no cuidado em casa e paliativo;
  • Existência de hospitais que fazem treinamento com os idosos para que esses comam direito e não precisem de medicamentos;
  • Casas da Comunidade, no norte da Itália, onde pessoas de 70 anos cuidam de pessoas de 90. Ou seja, é o idoso cuidando do próprio idoso.
O sistema de saúde italiano é uma das maiores referências no cuidado geriatra. Foto: Rede Geronto.

Como a experiência impacta o futuro médico

Durante o intercâmbio, os alunos são acompanhados por relatórios diários e participam de reuniões com a equipe. Diante disso, além de aprenderem outro idioma, também conseguem entender como funciona o sistema italiano e comparar com o sistema brasileiro.

Para a estudante de Medicina, Maria Clara, da UniFACISA, que viveu a 2º edição do programa, a imersão em geriatria na Itália foi uma experiência enriquecedora como profissional, especialmente quando analisa os dados sobre idoso no Brasil. “É muito importante estar tendo essa oportunidade de fazer um comparativo entre o sistema de saúde italiano e brasileiro, principalmente no cuidado com o idoso. A nossa população está ficando cada vez mais idosa, então isso [a imersão] vai ser muito importante para o nosso futuro como sociedade brasileira.”

Suzana ainda evidencia um fator a mais: caso pretenda assumir a função de gestor em algum momento da profissão, esse profissional, diante daquilo aprendido na imersão em geriatria, poderá trazer a organização do cuidado, trabalho em equipe e atenção ao idoso para a realidade brasileira.

Algo que Pedro Lucas, também estudante de Medicina da UniFACISA, já entende. Para ele, poder realizar esse comparativo entre os sistemas de saúde é de extrema importância. “A gente consegue ver o que a gente pode aprender e implementar no nosso sistema para melhorar. Não somente da parte técnica, mas da parte social também”, reflete.

Imersão em Gerontologia na Itália

Sob a coordenação do Dr.Giovanni Gorgoni (ASL AT), Dra. Marina Turcci (ASL Modena), Dr. Andrea Fabbo (ASL Ogliastra) e da Profa. Dra. Suzana Schwers Funghetto (Rede Geronto), a edição de 2027 está com inscrições abertas e podem ser realizadas através do site da Rede Geronto.

O Programa Internacional de Formação em Geriatria acontecerá em duas cidades: em Modena (de 7 a 21 de janeiro de 2027) e em Asti (12 a 27 de janeiro de 2027).

Índice

Você também pode se interessar por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nossos conteúdos no Youtube