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Fusão entre Afya e Yduqs pode mudar cenário da Medicina no Brasil

Fusão entre Afya e Yduqs pode mudar cenário da Medicina no Brasil
Combinação reuniria as duas maiores empresas privadas de educação médica do país.

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Os dois maiores grupos educacionais privados do Brasil irão se transformar em um só! A Afya e a Yduqs anunciaram, na última quarta-feira (23), a fusão entre as empresas. Segundo o comunicado feito pela Yduqs, a combinação busca mais qualidade, inovação e oportunidades para o país. As empresas já estavam em discussão para possível combinação de negócios em agosto desse ano.

Com a junção, o novo ecossistema educacional de Medicina deve ter receita líquida de R$ 9,4 bilhões, considerando o relatório financeiro dos doze meses encerrados em junho de 2026 (Last Twelve Months).

Segundo as informações da Yduqs, a fusão ocorre com base em uma relação de troca de ações. Nesse cenário, os acionistas da Afya passam a deter 69% do capital social, enquanto os acionistas da Yduqs detém 31%. Se aprovada a fusão, a Afya deverá ser incorporada pela Yduqs, com a seguinte divisão de liderança:

  • Virgilio Gibbon, CEO da Afya, assumirá a posição de CEO da nova combinação empresarial;
  • Rossano Marques, CEO da Yduqs, assumirá a posição de Presidente de Ensino Superior ex-Medicina;
  • Kay Krafft, CEO da bertelsmann Education, assumirá a posição de Presidente do Conselho de Administração.

Impactos na Medicina

Afya e Yduqs aparecem entre os maiores operadores privados de educação médica do Brasil. De acordo com levantamento do BTG com dados de 2025, as duas companhias ocupavam as primeiras posições do segmento e, juntas, representavam cerca de 17,6% das vagas operacionais de Medicina do país.

A Afya possui 3.768 vagas anuais de Medicina aprovadas, enquanto o IDOMED, braço de educação médica da Yduqs, conta com 2.120 vagas. Somadas, as companhias chegariam a aproximadamente 5,9 mil vagas anuais.

Uma eventual fusão também ampliaria a presença das empresas no território nacional. A Afya possui 33 unidades de Medicina em 14 estados, enquanto a Yduqs conta com 18 unidades.

A partir da fusão, a nova companhia deverá criar um ecossistema de educação médica com quase 6 mil vagas anuais, além de ampliar a oferta da graduação em Medicina para os 26 estados brasileiros e mais de 1.500 cidades.

Segundo a Yduqs, a combinação dos grupos oferece um cenário completo para a carreira médica. “Com mais campos de prática em contato com a realidade de comunidades por todo o país, mais pesquisa e mais oportunidades de intercâmbio, além de centros de simulação acreditados internacionalmente e cuidado ampliado com o bem-estar dos estudantes”, destaca o comunicado.

A Estácio é uma das redes educacionais do grupo Yduqs (Imagem: Reprodução)

Aprovação depende de diversas instâncias

A fusão das empresas só passa a ser válida depois de aprovada nas diferentes instâncias pela qual deve passar, são elas: aprovação dos acionistas de ambas as companhias, do setor educacional e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até a aprovação ser concluída, as empresas continuam operando de forma indepentende. E para os alunos, não há mudança prevista.

Possíveis obstáculos para a fusão

Um dos principais pontos para a fusão ser confirmado é a análise do Cade, órgão responsável por avaliar se uma operação pode reduzir a concorrência no mercado.

Nesse caso, o Cade poderá analisar não apenas o tamanho das empresas em todo o país, mas também se Afya e Yduqs disputam o mesmo mercado em determinadas cidades. Esse ponto é relevante porque a fusão entre as duas redes pode reduzir o número de concorrentes em localidades onde as duas empresas já atuam.

Outro fator é o Enamed. Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu medidas do Ministério da Educação (MEC) contra cursos de Medicina com desempenho insuficiente no exame. A decisão permitiu novamente a aplicação de medidas regulatórias relacionadas aos resultados do Enamed 2025.

Nesse cenário, uma combinação entre Afya e Yduqs tem que considerar também o desempenho e a situação regulatória de seus cursos.

O Cade é uma autarquia federal ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foto: Reprodução.

Situação em agosto

A Yduqs confirmou no dia 24 de agosto que estava em conversas com a Afya para avaliar uma possível combinação de negócios entre as duas empresas. A confirmação foi divulgada após notícias sobre uma possível operação entre as empresas. No entanto, as tratativas ainda estão em fase inicial.

A possível combinação ganhou relevância principalmente no mercado de educação médica. Caso seja concretizada, a operação reuniria duas das maiores empresas privadas do segmento no Brasil e concentraria uma parcela significativa das vagas de Medicina atualmente ofertadas por instituições privadas.

Posicionamento da Yduqs em agosto

Nesta quarta-feira (24), a Yduqs divulgou um comunicado ao mercado confirmando que está em tratativas com a Afya sobre uma possível combinação de negócios.

A companhia afirmou que avalia continuamente oportunidades estratégicas e destacou que enxerga a consolidação do setor como uma possível alavanca para geração de valor aos acionistas.

Apesar da confirmação das conversas, a empresa reforçou que as negociações ainda estão em fase inicial e que nenhuma obrigação foi assumida pelas partes. A eventual operação ainda dependeria da evolução das tratativas e da assinatura de documentos definitivos.

Posicionamento da Afya em agosto

A Afya também confirmou nesta segunda-feira (24) que mantém discussões com a Yduqs sobre uma potencial combinação de negócios. Em comunicado ao portal Melhores Escolas Médicas, a companhia afirmou que as tratativas estão em estágio inicial.

Assim como a Yduqs, a Afya destacou que não foi firmado nenhum acordo, contrato ou compromisso vinculante entre as empresas, seus acionistas ou equipes de gestão. A companhia também ressaltou que não há garantia de que as conversas resultarão em uma operação.

A Afya informou ainda que não pretende fazer novos comentários sobre o assunto, a menos que uma nova divulgação seja exigida pela legislação ou considerada apropriada pelo seu Conselho de Administração.

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