O México dá um passo histórico na saúde pública ao lançar, em janeiro de 2027, o Serviço Universal de Saúde, modelo inspirado no SUS brasileiro. O programa, anunciado pela presidente Claudia Sheinbaum Pardo, busca acabar com décadas de desigualdade no acesso a serviços médicos e garantir cobertura a todos os 128 milhões de mexicanos.
Um sistema que sempre deixou muitos de fora
Por décadas, o acesso à saúde no México esteve atrelado ao tipo de vínculo trabalhista do cidadão. Quem trabalha com carteira assinada conta com o IMSS, servidores públicos são atendidos pelo ISSSTE.
Autônomos, desempregados e trabalhadores informais ficam sob responsabilidade da Secretaria de Saúde ou dos programas estaduais. Há ainda quem pague por planos privados.
Essa divisão gerou uma das piores coberturas de saúde entre os países da OCDE. Três em cada dez mexicanos não têm acesso a nenhum serviço médico, e a proporção de médicos chega a apenas 26,09 por 10 mil habitantes.
O que muda com o novo modelo
A principal mudança é justamente romper essa lógica. Com o Serviço Universal de Saúde, qualquer pessoa poderá ser atendida na rede pública sem precisar comprovar vínculo com a seguridade social, assim como funciona no Brasil.
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Para viabilizar isso, o governo investe na integração tecnológica do sistema. Um aplicativo digital vai reunir prontuários, históricos clínicos e resultados de exames de pacientes de diferentes redes, permitindo que qualquer profissional de saúde acesse essas informações no momento do atendimento.
O programa também garante abastecimento de medicamentos e funcionamento contínuo das unidades de cirurgia. As prioridades iniciais são atendimento emergencial, gravidez de alto risco, infartos, câncer de mama, saúde mental e doenças neurológicas. A partir de 2028, o foco se volta para condições crônicas como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide.
Como funciona o cadastramento
A primeira etapa começou em 13 de abril e vai até 30 de abril, com cadastramento de pessoas acima de 85 anos e seus cuidadores.
As equipes percorrem 47 municípios em 24 estados, incluindo as 16 regiões da Cidade do México, com meta de registrar 2 milhões de pessoas em 2.059 módulos e 2 mil centros médicos.
Após o cadastro, o usuário recebe em até seis semanas um documento de identificação emitido pela Secretaria de Bem-Estar, que substitui os registros anteriores do IMSS, ISSSTE e Pemex. A Secretaria também divulgará o calendário de cadastramento para os demais grupos populacionais.
Outros países que já adotam modelo semelhante
O México segue uma tendência global de sistemas públicos universais de saúde. No Reino Unido, o NHS opera desde 1948 com financiamento por impostos e médicos generalistas como porta de entrada, garantindo acesso universal à população.
Na Austrália, o Medicare combina financiamento público com contribuição individual baseada na renda, garantindo acesso amplo a serviços essenciais.Em Portugal, o sistema preserva a universalidade, mas adota taxas moderadoras para regular a demanda, com isenções para populações vulneráveis.
Espanha, Canadá e Cuba também mantêm redes públicas de saúde consolidadas. O SUS brasileiro, no entanto, se destaca como o único sistema público, universal e gratuito do mundo voltado a uma população acima de 200 milhões de habitantes, o que o torna referência para países que, como o México, buscam ampliar o acesso à saúde com equidade.
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