O tabagismo entrou na mira do governo britânico com uma medida inédita na Europa. O Parlamento do Reino Unido aprovou uma lei que proíbe, de forma permanente, a compra de cigarros e outros produtos de tabaco para todas as pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009.
A legislação aguarda apenas a sanção real para entrar em vigor. Com essa aprovação, o Reino Unido se torna o segundo país do mundo a adotar uma proibição geracional do tabaco, atrás somente das Maldivas.
O que a nova lei determina
A chamada Lei do Tabaco e dos Cigarros Eletrônicos estabelece que qualquer pessoa nascida após 2008 jamais poderá comprar cigarro legalmente no país. Isso vale independentemente da idade que essa pessoa tiver no futuro: mesmo ao atingir a maioridade, o grupo seguirá proibido de adquirir produtos de tabaco.
Além disso, a legislação amplia os poderes do governo para restringir sabores e embalagens de cigarros eletrônicos. Os vapes também passam a ser proibidos em locais como parques infantis, proximidades de escolas, hospitais e dentro de veículos que transportam crianças.
A lei proíbe ainda a publicidade e o patrocínio de cigarros eletrônicos e outros produtos com nicotina. Vale destacar que, desde junho de 2025, o governo britânico já havia vedado a venda de vapes descartáveis no país.
Por que o Reino Unido tomou essa decisão?
O tabagismo segue como a principal causa de mortes evitáveis no Reino Unido. Segundo dados do governo britânico, o vício mata cerca de 80 mil pessoas por ano no país e está relacionado a mais de 400 mil internações hospitalares anuais.
Além do impacto humano, o custo financeiro também é expressivo. O tabagismo gera um gasto anual superior a 3 bilhões de libras ao sistema público de saúde, o equivalente a cerca de R$ 21 bilhões.
Em 2024, o país registrava aproximadamente 5,3 milhões de fumantes adultos, quase 10% da população. Ainda assim, esse número está no menor patamar em mais de uma década, o que demonstra que as políticas de controle do tabaco têm surtido efeito.
Pesquisas de opinião mostram que mais de dois terços dos britânicos apoiam a proibição intergeracional. Para especialistas em saúde pública, a medida representa não apenas uma mudança de política, mas também uma transformação cultural em relação ao cigarro.

Como a lei será aplicada na prática
A proibição de vendas para nascidos após 2008 começa a valer em 1º de janeiro de 2027. A partir dessa data, a idade mínima legal para compra de tabaco aumentará um ano a cada ano, criando uma barreira progressiva e permanente ao acesso ao produto.
Fumantes já existentes não serão penalizados. No entanto, comerciantes que venderem tabaco a pessoas do grupo proibido estarão sujeitos a uma multa de 200 libras por infração.
Alguns críticos levantam a preocupação com o surgimento de um mercado ilegal. Contudo, especialistas de saúde pública apontam que alegações semelhantes já acompanharam medidas anteriores de controle do tabaco e não se confirmaram.
O alerta sobre os cigarros eletrônicos
Pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer (Inca) chamam atenção para uma epidemia silenciosa entre jovens: a dependência de nicotina por meio dos cigarros eletrônicos. Doenças pulmonares, cardiovasculares e cânceres são consequências que se acumulam com o tempo de uso, e algumas delas já atingem adolescentes bem antes da vida adulta.
Seria viável implementar algo parecido no Brasil?
No Brasil, a venda de cigarros já é proibida para menores de 18 anos. A Anvisa também veda a venda, importação e publicidade de dispositivos eletrônicos de fumar para todas as idades.
Uma proibição vitalícia baseada no ano de nascimento seria difícil, mas não impossível. Entre os principais obstáculos estão o comércio ilegal de cigarros, ainda expressivo no país, e as desigualdades socioeconômicas que dificultam a aplicação uniforme das leis.
Mesmo assim, os especialistas concordam: combinada com educação em saúde e campanhas de conscientização, essa estratégia poderia acelerar significativamente a redução do tabagismo no Brasil.
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