publicidade

Nova pandemia? Veja tudo o que se sabe sobre a hantavirose

Compartilhar:

Surto da doença registrado em cruzeiro trouxe à tona o receio de uma possível ameaça pandêmica imediata.

Compartilhar:

O surto de hantavírus registrado a bordo do navio MV Hondius, que saiu da Argentina rumo a Cabo Verde, reacendeu o alerta internacional para doenças infecciosas.

Após 29 dias de tensão em alto-mar, passageiros começaram a desembarcar neste domingo (10), sob forte esquema sanitário montado pelas autoridades espanholas.

O episódio levantou uma dúvida inevitável: afinal, a hantavirose pode provocar uma nova pandemia?

Passageiros deixam navio após surto de hantavirose

O cruzeiro MV Hondius virou alvo de atenção mundial após a confirmação de um surto de hantavirose entre passageiros que causou, segundo autoridades internacionais, três mortes a bordo.

O desembarque dos demais tripulantes aconteceu neste domingo (10) em Tenerife, nas Ilhas Canárias, com acompanhamento médico rigoroso.

Passageiros a bordo do cruzeiro MV Hondius desembarcaram neste domingo (10), nas Ilhas Canárias. (Imagem: Jorge Guerrero/AFP)

Os quase 150 passageiros passaram por avaliações de saúde antes de serem liberados ou encaminhados para quarentena. Espanhóis foram transferidos para um hospital militar em Madri, enquanto estrangeiros começaram a retornar aos seus países.

Apesar da preocupação, especialistas europeus afirmaram que o risco de disseminação em massa é considerado baixo, já que o hantavírus possui capacidade de transmissão muito menor que vírus respiratórios como o da Covid-19.

Brasil registra casos da doença

Embora o episódio no navio tenha chamado atenção global, a hantavirose não é uma doença nova. O vírus já circula no Brasil há décadas e registra casos esporádicos todos os anos, principalmente em áreas rurais.

Neste domingo (10), o estado de Minas Gerais confirmou uma morte por hantavírus no município de Carmo do Paranaíba.

A vítima, um homem de 46 anos que teve histórico de contato com roedor silvestre em uma lavoura, apresentou sintomas no dia 2 de fevereiro, e, 6 dias depois, veio a óbito.

O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. (Imagem: Wikimedia Commons)

Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde mostram que, nos últimos dez anos, 33 pessoas morreram em decorrência da hantavirose no estado.

Na última sexta-feira (8), o estado do Paraná confirmou dois casos de hantavírus em cidades próximas à fronteira com a Argentina.

Segundo a Secretaria de Saúde do estado, a doença está sob controle no Paraná e a rede pública seguirá acompanhando e monitorando casos suspeitos.

Apesar dos casos confirmados, a maior parte dos casos no Brasil está ligada ao chamado “hantavírus silvestre”, diferente da variante Andes observada no surto do navio.

Especialistas ressaltam que a transmissão entre pessoas é extremamente rara fora dessa cepa específica identificada na América do Sul.

É possível uma nova pandemia?

O medo de uma nova pandemia voltou a circular nas redes sociais após o caso do cruzeiro, mas infectologistas afirmam que o cenário atual é diferente do observado durante a Covid-19.

A médica infectologista Mariela Cometki explica que o principal alerta está relacionado à prevenção e aos cuidados em ambientes com possíveis roedores.

“Apesar de grave, esse alerta é principalmente para quem trabalha em ambientes que pode ter contato indireto com esses roedores, para que evite exposição e faça controle de pragas, mantendo esses ambientes sob a melhor higienização possível.”

A principal forma de transmissão continua sendo o contato com roedores infectados, e não a circulação ampla entre humanos. Isso porque o hantavírus possui características que dificultam uma disseminação global acelerada.

Além disso, especialistas apontam que surtos costumam ser localizados e mais fáceis de rastrear.

Apesar da periculosidade do hantavírus, especialistas apontam que a doença ainda não é uma ameaça pandêmica. (Imagem: Reprodução)

A cepa Andes, que permite transmissão pessoa a pessoa, exige contato próximo e prolongado, reduzindo o potencial de espalhamento em larga escala.

Ainda assim, o aumento de doenças zoonóticas (aquelas transmitidas de animais para humanos) preocupa pesquisadores em todo o mundo, especialmente diante das mudanças climáticas, desmatamento e expansão urbana sobre áreas naturais.

A hantavirose, portanto, não é considerada uma ameaça pandêmica imediata, mas o vírus não deve ser ignorado.

O hantavírus pode causar quadros graves e, quando o diagnóstico é tardio, a taxa de mortalidade pode ser muito alta.

Segundo infectologistas, o momento não deve ser de pânico, mas sim de conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce da doença.

Índice

Você também pode se interessar por:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nossos conteúdos no Youtube

O mundo da medicina No seu e-mail.

Acompanhe todas as novidades, dicas, notícias e curiosidades do mundo da medicina no seu email.

*Ao enviar seus dados, você concorda em receber comunicações da Melhores Escolas Médicas e nossos parceiros. Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.