Oscar Schmidt, ídolo do basquete brasileiro, morreu nesta sexta-feira (17) aos 68 anos. O glioma cerebral, diagnosticado em 2011, marcou a trajetória final do “Mão Santa” fora das quadras.
O ex-atleta havia sido internado no Hospital Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba (SP), após apresentar um mal-estar à tarde. Ele estava em recuperação de um procedimento cirúrgico realizado no início de abril.
Por conta dos problemas de saúde, Oscar não compareceu à cerimônia de entrada no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, no Rio de Janeiro. Seu filho Felipe Schmidt recebeu a homenagem no lugar do pai.
Uma batalha contra o câncer
A história de Oscar com a doença começou em 2011, quando médicos identificaram um glioma grau 2 na parte frontal esquerda do cérebro. O ex-jogador realizou uma cirurgia para a retirada do tumor.
Dois anos depois, em 2013, o tumor evoluiu para grau 3, exigindo uma nova operação e sessões de radioterapia. Em seguida, Oscar iniciou quimioterapia para controlar a progressão da doença.
Em 2022, após 11 anos convivendo com o diagnóstico, ele anunciou que havia interrompido o tratamento, declarando estar curado.
“Eu fiz quimioterapia, que eu parei esse ano. Eu mesmo decidi parar”, afirmou na época. Segundo sua assessoria, ele era acompanhado pelo mesmo oncologista desde 2013 e realizava monitoramento de rotina.
O que é o glioma?
O glioma é um tipo de tumor que se forma no sistema nervoso central, especificamente nas células gliais, responsáveis por sustentar e proteger os neurônios. É o tipo mais comum de tumor cerebral primário e pode se desenvolver tanto no cérebro quanto na medula espinhal.
Os gliomas representam cerca de 30% dos tumores cerebrais e aproximadamente 80% dos tumores cerebrais malignos primários. Adultos são os mais afetados, mas crianças também podem desenvolver a doença.
Tipos e graus da doença
Os gliomas são classificados conforme a célula de origem e o grau de agressividade. Os principais tipos são:
Astrocitoma – inclui tumores de grau I a IV, sendo o glioblastoma multiforme (GBM) o mais agressivo.
Oligodendroglioma – cresce mais lentamente e costuma ser diagnosticado em adultos jovens.
Ependimoma – mais frequente em crianças, origina-se nas células que revestem os ventrículos cerebrais.
Leia também: Pela primeira vez, Butantan fabricará nacionalmente medicamento usado no tratamento de 40 tipos de câncer
Quais são os fatores de risco?
As causas do glioma muitas vezes permanecem desconhecidas. Contudo, alguns fatores elevam o risco de desenvolvimento da doença, como exposição à radiação ionizante na região da cabeça, doenças genéticas raras como neurofibromatose tipo 1 e síndrome de Li-Fraumeni, e histórico familiar de tumores cerebrais.
Reconheça os sintomas
Os sintomas do glioma variam conforme a localização e o tamanho do tumor. Os mais comuns incluem dor de cabeça persistente (que piora pela manhã ou com esforço), convulsões de início recente, fraqueza ou dormência nos membros, alterações visuais, mudanças de personalidade e náuseas.
O Instituto Nacional do Câncer (INCA) alerta: na maioria dos casos, esses sintomas não indicam câncer, mas precisam ser investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em poucos dias.
Tratamento multidisciplinar
O tratamento do glioma combina cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A cirurgia busca remover o maior volume possível do tumor, podendo usar técnicas como neuronavegação e cirurgia acordada.
A quimioterapia com temozolomida é o protocolo mais comum, especialmente para glioblastomas. Terapias-alvo e imunoterapia também são usadas em casos selecionados, embora esta última ainda esteja em fase experimental para muitos subtipos.
O INCA estima que para cada ano do triênio 2023/2025 sejam diagnosticados no Brasil 11.490 novos casos de câncer do sistema nervoso central, sendo 6.110 em homens e 5.380 em mulheres.
Legado dentro e fora das quadras
Oscar Schmidt entrou para o Hall da Fama do basquete em Springfield, Massachusetts, em 2013, tornando-se o primeiro e único brasileiro a receber a honraria. Medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, ele conquistou três títulos sul-americanos com a seleção brasileira e defendeu clubes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Clube Sírio, além de equipes na Espanha e na Itália.
Mesmo fora das quadras, o “Mão Santa” demonstrou a mesma garra que o tornou lendário, enfrentando por mais de uma década uma das doenças mais desafiadoras da medicina.
📲 As principais notícias do dia na sua caixa de entrada! Se inscreva na Newsletter da MEM









