A Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado aprovou, na quarta-feira (15), duas propostas de fiscalização apresentadas pelo senador Dr. Hiran (PP-RR) para investigar a abertura de cursos de Medicina e a ampliação de vagas no país, além da criação de uma turma especial da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) voltada a beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). As medidas, que ainda seguem para a presidência do Senado, preveem auditorias com apoio do Tribunal de Contas da União (TCU).
As propostas foram apresentadas com o argumento de que é necessário verificar se houve legalidade, transparência, capacidade estrutural e uso adequado de recursos públicos em decisões que envolvem formação médica.

Abertura de novos cursos de Medicina
A Proposta de Fiscalização e Controle nº 6, de 2025, quer investigar como o Ministério da Educação (MEC) vem conduzindo os processos de abertura de novos cursos de Medicina e de ampliação de vagas em cursos já existentes no Brasil. A ideia é que o Tribunal de Contas da União (TCU) ajude a verificar se essas autorizações foram dadas com legalidade, transparência e critérios técnicos adequados.
A proposta surge em meio a preocupações com o crescimento acelerado da oferta de cursos de Medicina no país, muitas vezes impulsionado por decisões judiciais.
O objetivo é saber se as instituições autorizadas realmente tinham condições de oferecer formação de qualidade, com estrutura adequada, professores qualificados, campos de prática e capacidade financeira para manter os cursos.
Curso de Medicina da UFPE

A Proposta de Fiscalização e Controle nº 5, de 2025, trata da turma especial de Medicina criada pela UFPE com vagas exclusivas para beneficiários do Pronera. Nesse caso, a auditoria pretende apurar se o edital da universidade foi legal, se os recursos públicos usados na iniciativa foram aplicados corretamente e se a estrutura da instituição comporta a oferta do curso sem prejudicar outras atividades acadêmicas.
O principal questionamento é sobre a criação de uma turma exclusiva em um curso de alta concorrência e alto custo, o que levantou dúvidas sobre isonomia no acesso ao ensino superior e sobre a compatibilidade da medida com as regras gerais de ingresso nas universidades públicas.
A proposta também pede análise sobre o uso dos recursos repassados pelo Incra (mais de R$ 18 milhões) e sobre a adequação da iniciativa aos objetivos do Pronera.
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Contexto
Desde a criação da turma especial de Medicina da UFPE voltada a beneficiários do Pronera, o caso passou a gerar forte repercussão. A iniciativa foi contestada por entidades médicas e também virou alvo de ações na Justiça, principalmente por causa da reserva exclusiva de vagas em um curso tradicionalmente muito disputado.
Ao longo dos meses, o processo foi marcado por uma sequência de decisões judiciais que suspenderam e depois restabeleceram o edital em diferentes momentos.
Esse cenário transformou o curso em um tema de debate público e jurídico, com discussões sobre legalidade, critérios de acesso e uso da estrutura da universidade.









