Mesmo após corrigir as falhas apontadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Ypê optou por manter fechada a fábrica do município de Amparo, no interior de São Paulo. A unidade foi alvo de uma inspeção que identificou irregularidades no controle de qualidade e risco de contaminação microbiológica em detergentes, desinfetantes e sabões líquidos da marca.
A empresa afirma ter adotado medidas corretivas e apresentado recurso ao órgão regulador, mas a unidade segue sem previsão de retomada das atividades.
Antes e depois da fábrica
Após a decisão da Anvisa, Eduardo Beira, diretor executivo de Operações da Ypê, afirmou que cerca de 400 homens trabalharam intensamente nas plantas afetadas.
“Mobilizamos toda a equipe para que a gente trabalhasse em limpeza, em pintura, em manutenções (….) Estamos trabalhando realmente para resolver tudo aquilo que a Anvisa nos colocou”, afirmou.
Nesta quarta-feira (13), a Agência irá reavaliar a unidade para decidir se mantém a suspensão da fabricação e comercialização de lotes de produtos da empresa.

A interdição da fábrica da Ypê ocorreu após a inspeção identificar problemas no processo de fabricação dos produtos, incluindo sinais de corrosão em equipamentos, más condições de conservação de tanques de manipulação e armazenamento inadequado de resíduos devolvidos às linhas de envase.
Segundo a Anvisa, as irregularidades comprometem as boas práticas de fabricação e apresentam risco sanitário, com possibilidade de contaminação microbiológica.
A Ypê apresentou recurso contra a decisão da Anvisa e informou ter adotado medidas corretivas para atender às exigências do órgão regulador.

Politicagem? Apoiadores de Bolsonaro criticam Anvisa
A decisão da Anvisa gerou forte repercussão nas redes sociais e abriu um novo capítulo de polarização política na internet.
Após a agência determinar o recolhimento de produtos da marca, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender a empresa online e a questionar a atuação do órgão regulador.
Entre as publicações compartilhadas nas redes, usuários aparecem consumindo detergente em tom de deboche, utilizando embalagens da marca como “mamadeira” e simulando banhos com os produtos alvo do alerta sanitário.
Os conteúdos viralizaram acompanhados de críticas à decisão da Anvisa, classificada por alguns internautas como uma medida de motivação política.

Apesar das críticas, a Anvisa sustenta que a medida de interditar a fábrica da Ypê foi tomada com base em irregularidades identificadas durante inspeções sanitárias e em possíveis riscos de contaminação microbiológica dos produtos.
Saiba como trocar os produtos da Ypê
Mesmo após conseguir suspender temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa, a Ypê abriu um canal online para consumidores solicitarem a troca de produtos incluídos no alerta sanitário.
A medida contempla produtos presentes na lista de suspensos cuja numeração termina com o dígito 1, com limite de até 20 itens por solicitação.

Para realizar o pedido, os consumidores devem enviar fotos e informações dos produtos, como lote, quantidade e data de fabricação.
O envio da nota fiscal é opcional. A empresa, no entanto, não informou prazo para a realização das trocas nem esclareceu se haverá possibilidade de ressarcimento aos clientes.
Em comunicado, a Ypê reforçou que obteve efeito suspensivo contra a decisão da Anvisa, mas afirmou que respeita os consumidores que desejarem substituir os produtos.
A companhia também manteve disponível o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) pelo telefone 0800 1300 544 e pelo site oficial.
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