Uma série de denúncias graves em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, coloca a cirurgiã-dentista Priscilla Janaína Bovo sob investigação policial. Pacientes relatam complicações severas, rostos paralisados e deformidades permanentes após passarem por intervenções faciais conduzidas pela profissional.
As vítimas alegam que foram induzidas ao erro por acreditar que Priscilla possuía formação médica e especialidade em cirurgias plásticas. O caso ganhou repercussão nacional após os relatos de sequelas que exigiram múltiplas operações reparadoras para tentar reconstruir as áreas afetadas.
Relatos de paralisia e complicações pós-operatórias
Uma das vítimas, uma advogada de 50 anos, buscou a dentista para remover substâncias de procedimentos antigos. Ela afirma que foi convencida sobre a necessidade de uma cirurgia complexa, mas acordou com o lado esquerdo do rosto paralisado e deformado.
A paciente relata dificuldades para realizar funções básicas, como respirar e mastigar. Desde julho de 2025, ela já se submeteu a duas cirurgias de reconstrução e segue em tratamento contínuo para tentar recuperar os movimentos faciais perdidos.
Outro caso envolve um projetista que reside na Áustria. Ele buscou a profissional para retirar biopolímeros, mas desenvolveu uma infecção grave quatro dias após a cirurgia. O paciente precisou de internação urgente e até o momento não conseguiu retornar ao exterior devido à necessidade de reconstrução facial.
Uso de substâncias e limites da atuação odontológica
As investigações apontam que a propaganda da profissional focava em um protocolo exclusivo para remoção de polimetilmetacrilato, material não indicado para fins estéticos pela Anvisa. Pacientes acreditavam estar sob os cuidados de uma médica devido a informações que constavam no site da dentista.
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O Conselho Regional de Medicina de São Paulo acompanha o caso, enquanto a Polícia Civil investiga as ocorrências como lesão corporal. Os prontuários médicos do hospital onde as cirurgias ocorreram identificam a profissional apenas como cirurgiã-dentista, o que contradiz a percepção de alguns pacientes.
O posicionamento da defesa e da profissional
Priscilla Janaína Bovo se manifestou publicamente afirmando que é alvo de ataques infundados. Ela defende que sua atuação é voltada para casos reconstrutivos e funcionais de alta complexidade, e não apenas para fins estéticos.
A defesa da cirurgiã-dentista argumenta que ela possui mais de 25 anos de experiência e que todos os riscos foram esclarecidos aos pacientes. Segundo seus advogados, os pacientes já chegavam ao consultório com deformidades prévias causadas por outros profissionais.
A nota oficial da defesa reitera que as condutas seguiram critérios técnicos e científicos. Enquanto o processo tramita sob sigilo nos conselhos de classe, a Vigilância Sanitária e a Polícia Civil seguem coletando provas para determinar se houve imperícia ou exercício ilegal da medicina.
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