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Greve nas universidades paulistas chega ao internato da Medicina da USP e amplia crise estudantil

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Os alunos afirmam que a greve é motivada pela precarização das condições de ensino, pela falta de investimentos na permanência estudantil e pelo sucateamento das estruturas universitárias.

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A mobilização estudantil nas universidades estaduais paulistas ganhou um novo capítulo nesta semana. Estudantes do internato da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo aderiram à greve já iniciada por alunos da instituição e interromperam, nesta terça-feira, as atividades práticas realizadas no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário.

O movimento faz parte de uma paralisação mais ampla que reúne estudantes da USP, da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade Estadual Paulista. Os alunos afirmam que a greve é motivada pela precarização das condições de ensino, pela falta de investimentos na permanência estudantil e pelo sucateamento das estruturas universitárias.

Reivindicações dos estudantes

Segundo os estudantes da Medicina da USP, um dos principais problemas enfrentados atualmente é a redução no quadro de funcionários do Hospital Universitário. O grupo afirma que a unidade perdeu cerca de 30% dos trabalhadores na última década, o que impactaria diretamente a qualidade da formação prática dos futuros médicos e também o atendimento à população.

Outro ponto criticado pelos manifestantes é o programa “Experiência HCFMUSP na prática”, ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O projeto permite que estudantes de instituições privadas realizem estágios no hospital mediante pagamento de mensalidades que ultrapassam R$ 8 mil.

Para os grevistas, o modelo cria desigualdade dentro da própria universidade pública. Os estudantes alegam que, enquanto alunos externos conseguem acesso às atividades práticas por meio do pagamento, estudantes da própria USP enfrentam dificuldades para garantir espaço em determinadas experiências acadêmicas.

Estrutura e permanência estudantil

Além das pautas relacionadas à formação médica, o movimento também cobra a revisão da terceirização dos restaurantes universitários, a ampliação de políticas de assistência estudantil e garantias de que os participantes da greve não sofram punições acadêmicas ou administrativas.

Alunos cobram melhorias no bandejão, inclusão de cotas, e denunciam problemas estruturais. Foto: Reprodução da internet

Na USP, estudantes do Crusp, conjunto residencial universitário da instituição, denunciam problemas estruturais considerados graves. Entre as reclamações estão infiltrações, presença de mofo, canos quebrados, luminárias queimadas e falta de manutenção nos quartos.

Apesar da paralisação dos internos da Medicina, os serviços hospitalares seguem funcionando normalmente. Até o momento, o Hospital das Clínicas e o Hospital Universitário não divulgaram posicionamentos oficiais sobre os impactos da greve.

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Confronto com a Polícia Militar

A mobilização desta terça ocorre um dia após a desocupação da reitoria da USP pela Polícia Militar. Estudantes ocupavam o prédio em protesto contra as condições estruturais da universidade e contra a postura da administração diante das reivindicações estudantis.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o uso de bombas de efeito moral e agressões com cassetetes durante a ação policial. A PM afirmou que ninguém ficou ferido, mas o Diretório Central dos Estudantes relatou registros de estudantes com fraturas.

Quatro alunos foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial. Os manifestantes afirmam que a retirada ocorreu sem aviso prévio e sem apresentação de mandado judicial.

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