Tecnologia em Saúde – Discussões sobre a Terapia Molecular

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Na última quinta-feira, dia 18 de agosto, foi apresentada a V Jornada Nacional de Direito da Saúde realizada pelo CNJ em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). Estiveram presentes o professor Augusto Afonso Guerra Júnior, coordenador do Centro Colaborador do SUS para Avaliação de Tecnologias e Excelência em Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (CCATES/UFMG), e a coordenadora do Núcleo de Avaliação de Tecnologias e dos Mestrado em ATS do Instituto Nacional de Cardiologia, Marisa Santos. Os principais temas discutidos foram as “Novas Tecnologias em Saúde: Evidências e Custo-efetividade”. Durante a discussão sobre as Tecnologia em Saúde um dos pontos que ganhou destaque foi a Terapia Molecular. Vamos entender um pouco mais sobre isso.

 

Tecnologia em Saúde – Terapia Molecular

A terapia molecular é um dos grandes avanços médicos dos últimos anos. Também conhecida como Terapia Alvo, a Terapia Molecular se trata de medicamentos desenvolvidos para atacar diretamente as células cancerígenas. As substâncias são capazes de identificar e bloquear a multiplicação das células causadoras do câncer.

Existe um teste chamado de teste molecular. Esse teste analisa a adequação do organismo ao tratamento. No entanto, este teste não é necessário em alguns casos por serem sabidamente suscetíveis por apresentarem vias celulares alteradas que são prontamente reconhecidas por fármacos. Nesses casos, o teste não é necessário e o tratamento pode ser prescrito.

 

O que essa tecnologia em saúde ataca?

O alvo pode ser um gene com mutação, uma proteína que ocorre apenas em células cancerígenas, uma proteína que está alterada de forma anormal na célula ou mesmo uma proteína que ocorre em maior quantidade nas células cancerígenas do que nas células saudáveis. Qualquer um desses fatores constitui um meio apropriado para prescrever terapia direcionada.

 

No entanto, a prescrição depende do tipo de câncer, seu estágio e da saúde do paciente. Ainda podem ocorrer efeitos colaterais, embora sejam menos frequentes e/ou menos intensos.

Quais são os tipos de câncer tratados?

  • Melanoma: Em suma, 50% dos melanomas apresentam uma mutação no gene BRAF. Estudos recentes mostraram que essas mutações são bons alvos para drogas terapêuticas direcionadas. No entanto, pacientes cujos tumores não apresentam essas mutações não devem usá-lo!

 

  • Câncer colorretal: Este tipo de câncer geralmente produz em excesso a proteína do fator de crescimento epidérmico (EGFR). Os medicamentos terapêuticos podem bloquear e efetivamente interromper ou retardar o crescimento do câncer colorretal.

 

  • Câncer de mama: 20 a 25% dos casos de câncer de mama contém uma proteína chamada receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2), que estimula o crescimento de células tumorais. Portanto, existem várias terapias direcionadas disponíveis como tratamento.

 

  • Câncer de pulmão: A terapia direcionada também pode ser usada para tratar câncer de pulmão com mutações nos genes ALK e ROS. Portanto, os medicamentos que bloqueiam a proteína EGFR podem efetivamente retardar o crescimento do câncer de pulmão!

 

Fonte: Dr. Marcelo Cruz

 

O futuro das tecnologias no universo médico!

 

Outro ponto levantado foram os cursos desse tipo de tratamento. Segundo o professor Augusto Guerra, os medicamentos atualmente no mercado que utilizam anticorpos monoclonais para tratar o câncer de mama custam pouco mais de R$ 246 mil por ano. Outros valores podem ultrapassar 1 milhão de reais. Essas são as quantidades de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), mas nem sempre disponíveis para todos que precisam. Se um paciente não puder obter o medicamento, o método mais comum é ir ao tribunal.

“Estamos caminhando para uma medicina personalizada. Eu pego a proteína do paciente e vou fazer um anticorpo monoclonal. Tem um caso, não sei se é verdade, quando o Donald Trump teve Covid-19, desenvolveram um anticorpo monoclonal para ele em uma semana”, aponta Augusto Guerra.

 

A médica infectologista e coordenadora no Núcleo de Avaliação de Tecnologias e do Mestrado em ATS do Instituto Nacional de Cardiologia, Marisa Santos diz que as tecnologias devem ser analisadas, levando em consideração o custo fixo da Saúde Pública. “Não existe mágica. Se o remédio custa 10 milhões, é preciso saber de onde vai vir esse dinheiro.” aponta Marisa. “Não adianta ter um equipamento fantástico como uma super lavadora de roupas e não conseguir comprar o sabão específico para usar no equipamento. Por isso, questões de logística são relevantes também”

 

Considerações finais das Tecnologias em Saúde

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Comitê Executivo Nacional do Fonajus Giovanni Cerri não nega que a indústria farmacêutica traz enormes benefícios à saúde por meio de medicamentos oncológicos, tomografia computadorizada e vacinas, entre outros. No entanto, ele acredita que incentiva a incorporação de medicamentos e tecnologias para além da sustentabilidade do sistema de saúde do país. “Mas para o paciente, um pouco de melhora já é muito. Ou algo que prolonga a vida em seis meses, que pode ter pouca consideração pela saúde, mas pode ser muito para o paciente.”

 

Giovanni Cerri defendeu a necessidade de ação prática da equipe técnica do Conselho Nacional de Integração de Tecnologia no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão consultivo do Ministério da Saúde, para determinar as vantagens e desvantagens da integração de determinada tecnologia no sistema de saúde. Sistema de saúde público brasileiro.

Fonte: Conselho Nacional de Justiça

 

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