A Polícia Federal (PF) iniciou, nesta quinta-feira (16), a segunda fase da investigação que apura fraudes no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), exame aplicado para avaliar a formação de estudantes e médicos e utilizado como etapa classificatória em processos seletivos de residência médica.
A ação, batizada de Operação R2, cumpriu seis mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Barretos (SP), Paragominas (PA) e Imperatriz (MA).
Durante a operação, os policiais apreenderam aparelhos celulares que serão analisados no decorrer das investigações.
Segundo a Polícia Federal, a operação tem como alvo três médicos suspeitos de usar “laranjas” para fazer a prova em seus lugares. A investigação aponta que documentos de identidade falsificados teriam sido utilizados para viabilizar a fraude.
Outros três médicos também são investigados por suspeita de recrutar candidatos interessados em participar do esquema. Os nomes dos investigados não foram divulgados, e eles respondem às investigações em liberdade.
Operação ‘R1’
A nova fase da investigação é um desdobramento da “Operação R1″, realizada em 19 de outubro de 2025, durante a primeira aplicação do Enamed. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu oito pessoas em flagrante durante a realização da prova em Juiz de Fora (MG).
Entre os presos estavam cinco candidatos, sendo quatro homens e uma mulher, e três suspeitos apontados como responsáveis por transmitir respostas por meio de dispositivos eletrônicos. Também foram apreendidos equipamentos utilizados para a comunicação entre os envolvidos durante o exame.
Na época, a PF informou que cada candidato pagaria até R$ 140 mil caso fosse aprovado.


Como era o esquema?
De acordo com a investigação, o grupo criminoso atuava de duas formas para fraudar o Enamed.
Uma delas consistia na transmissão das respostas da prova por meio de dispositivos eletrônicos, como minicelulares e relógios inteligentes, permitindo que candidatos recebessem o gabarito durante o exame.
A outra envolvia o uso de “laranjas”. Nesse caso, pessoas eram contratadas para fazer a prova no lugar dos candidatos reais, utilizando documentos de identidade falsificados para conseguir acesso ao local de aplicação.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo do esquema era beneficiar candidatos interessados em obter uma boa classificação no exame, que pode ser utilizado na seleção para programas de residência médica.
O que diz o Inep?
Em nota ao portal Melhores Escolas Médicas, o Inep informou que acompanha o caso e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar, no âmbito de suas atribuições, com as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
A MEM também questionou se o instituto pretende adotar ou reforçar medidas de segurança para as próximas edições do Enamed em razão da investigação. No entanto, o Inep não respondeu a esse questionamento.
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O que é o Enamed?
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) é uma avaliação aplicada pelo Inep para medir a qualidade da formação dos estudantes concluintes de Medicina, com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso.
Além de avaliar o desempenho dos futuros médicos, a nota do Enamed também pode ser utilizada como etapa classificatória no Exame Nacional de Residência (Enare), processo seletivo para programas de residência médica.
Além disso, a partir de 2027, o exame passará a ser realizado semestralmente e terá um papel ainda mais amplo.
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema e esclarecer a atuação da organização criminosa.
























