O Laboratório Cristália está desenvolvendo uma vacina inédita no Brasil que busca combater o vício em tabagismo. O anúncio, feito em coletiva de imprensa no município de Jaguariúna (SP), no dia 27 de agosto, apresentou os resultados preliminares do projeto.
O fundador do laboratório, o médico Ogari Pacheco, contou que a ideia nasceu de um questionamento sobre o sistema imunológico. “Em algum momento pensei: o corpo humano tem um sistema imunológico perfeito. E se descobríssemos uma maneira de colocar esse sistema para combater a adicção?”.
Segundo os pesquisadores, a proposta da vacina é estimular o organismo a combater a nicotina no sangue. Por ser uma substância pequena, muito difícil de ser notada, o caminho pensado para combater a nicotina foi combiná-la a uma estrutura imunogênica. Assim, quando vacinado, o organismo consegue produzir anticorpos que impedem que a substância ultrapasse a barreira do cérebro e gere o pico de dopamina.
Ou seja, sem a chegada do prazer esperado, o hábito de fumar cigarro perde o sentido.
Etapas da produção
Segundo as informações do laboratório, até o momento, a produção ainda está na fase de testes em animais, especificamente em ratos fêmeas. A responsável pelo modelo experimental em ratos, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Gisele Zapata-Sudo, explica que a escolha do sexo feminino para os testes se dá em decorrência a maior suscetibilidade que as fêmas tem em criar dependência.
Quando já viciadas, o teste da vacina ocorreu em três doses, sendo uma por mês. “Todos os imunizados tiveram soroconversão, a formação de anticorpos. Isso em 100% deles”, disse.
No entanto, ainda faltam sete etapas pré-clínicas, em duas espécies diferentes, antes do pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo o dr. Rogério Almeida, Vice-Presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) do Laboratório Cristália, o objetivo é iniciar os estudos em humanos em até dois anos. “Vamos acelerar e fazer coisas em paralelo para encurtar isso. A gente acredita que em até dois anos já deva estar conseguindo iniciar os primeiros estudos em humanos e esperamos que tudo seja promissor diante do tabagismo, um problema de saúde pública mundial”.
Tabagismo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o vício em tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, incluindo cerca de 1,2 milhão de pessoas não-fumantes que estão expostas ao fumo passivo. Somente no Brasil, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), 477 pessoas morrem a cadia dia por causa do tabagismo.
O consumo do tabaco contribui para o desenvolvimento de certos tipos de câncer, como leucemia mielóide aguda, câncer de bexiga, câncer de pâncreas e câncer do colo do útero.
Atualmente, o tratamento para o vício é desenvolvido pelo próprio INCA. No SUS, o tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva (individual ou em grupo) e, caso seja necessário, uma terapia que une medicamentos junto com a abordagem intensiva.
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